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domingo, 8 de janeiro de 2012

CONSULTÓRIOS AMBULANTES

Paulo de Argollo Mendes, Médico e presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers)- ZERO HORA 13/12/2011

Em artigo recentemente publicado neste espaço, o superintendente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) reconhece que “há um conjunto de questões internas que precisam ser enfrentadas”. É muito pouco para descrever os descompassos administrativos que ali se evidenciam. Vivemos uma histórica confusão entre Estado, governo e administração. O GHC é exemplo cabal disso. A cada troca de partido – ou mudança na repartição de cargos entre as tendências internas da legenda –, altera-se até o chefe da bica de água, quebra-se a normalidade administrativa e introduzem-se correligionários que nunca antes pisaram no hospital, nem mesmo para uma consulta. O artigo cita números que os médicos, habituados ao dia a dia da instituição, desconhecem de onde foram tirados. A verdade é que qualquer um pode, a qualquer hora do dia ou da noite, ver com seus próprios olhos o amontoado de pacientes em que se transformou a emergência do Hospital Conceição, apesar do esforço desesperado dos médicos para salvar vidas, tentando compensar a falta de estrutura e de leitos.

A presidente da República ocupou bom tempo, em rede nacional de rádio e televisão, a fim de anunciar seu plano de governo na saúde, que pode ser sintetizado em poucas palavras: vou retirar recursos dos serviços em funcionamento e alocá-los em planos mirabolantes, mas com forte apelo midiático. Em nenhum momento, de todo aquele palavrório, a presidente comprometeu-se a sancionar a regulamentação da Emenda 29, essa, sim, capaz de trazer dinheiro novo para a saúde, o que só seria assegurado com a garantia de repasse de 10% da receita corrente bruta da União ao setor. A emenda acabou passando no Senado, com apoio de governistas, mas com a variação nominal do PIB como indexador, o que é flagrantemente insuficiente!

Algumas iniciativas, como consultórios ambulantes para atender viciados que vivem sob pontes e marquises, chegam a ser patéticas e não resistem à primeira pergunta: se o usuário concordar em internar-se para desintoxicação, onde iremos abrigá-lo? A carência de vagas é exasperante e faz com que mães acorrentem seus filhos para afastá-los dos traficantes.

Nos últimos 20 anos, o Estado perdeu 12.139 leitos do SUS, um recuo de 34,6%, enquanto a população cresceu 17% no mesmo período. Somos a unidade da federação que menos investe na assistência, e Porto Alegre é a campeã, entre os mais de 5 mil municípios brasileiros, em incidência de aids. Sobram promessas na saúde. Falta seriedade

FONTE: http://caosnasaudepublica.blogspot.com/2011/12/consultorios-ambulantes.html

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